Shore Power no Brasil: por que a eletrificação portuária já precisa entrar no radar dos terminais – igus Blog Brasil

Shore Power no Brasil: por que a eletrificação portuária já precisa entrar no radar dos terminais

Rebeca Tarragô | 9th fevereiro 2026

A busca por operações mais sustentáveis deixou de ser uma tendência e passou a ser uma exigência global. No setor portuário, esse movimento tem um nome cada vez mais presente nas discussões técnicas, regulatórias e estratégicas: Shore Power.

Em diversos países da Europa, América do Norte e Ásia, o fornecimento de energia elétrica para navios atracados já faz parte da rotina operacional. No Brasil, esse tema começa a ganhar força, impulsionado por mudanças regulatórias, metas ambientais e pela necessidade de manter a competitividade internacional dos portos.

Mas, afinal, o que é Shore Power e por que ele se tornou tão relevante?

O que é Shore Power e como funciona na prática?

Shore Power é o sistema que permite que um navio, enquanto está atracado, desligue seus geradores a diesel e passe a utilizar energia elétrica fornecida em terra.

Hoje, na maioria dos portos, os navios mantêm seus motores auxiliares ligados durante toda a permanência no cais para alimentar sistemas internos, refrigeração, iluminação e equipamentos de bordo. Esse processo gera:

  • Emissões constantes de CO₂, NOx e SOx
  • Poluição sonora
  • Impacto na qualidade do ar
  • Maior custo operacional para o armador

Com o Shore Power, esse cenário muda. A embarcação passa a receber energia diretamente da rede elétrica terrestre, reduzindo significativamente os impactos ambientais e operacionais.

Esse sistema é regulamentado internacionalmente pela norma IEC 80005-1, que define os requisitos técnicos e de segurança para conexões de alta tensão entre navio e terra.

O cenário do Shore Power no Brasil

Enquanto em alguns países o Shore Power já é obrigatório em determinados portos, no Brasil o tema ainda está em fase de amadurecimento.

Historicamente, a infraestrutura portuária nacional foi desenvolvida com foco prioritário na movimentação de cargas, eficiência logística e expansão de capacidade. Questões ligadas à eletrificação e descarbonização passaram a ganhar protagonismo mais recentemente.

Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a mudar.

Hoje, o Shore Power entra no radar dos terminais brasileiros por diferentes fatores:

  • Novos projetos de lei ligados à redução de emissões
  • Diretrizes ambientais em concessões portuárias
  • Compromissos ESG de operadores e investidores
  • Exigências de armadores internacionais
  • Pressões de mercados exportadores

Além disso, grandes companhias globais de navegação já possuem metas claras de neutralidade de carbono, o que impacta diretamente as exigências sobre os portos onde operam.

Sustentabilidade como diferencial competitivo

Mais do que atender à legislação, a eletrificação portuária vem se tornando um fator estratégico de competitividade.

Portos que oferecem infraestrutura sustentável tendem a:

  • Atrair mais armadores
  • Reduzir riscos regulatórios
  • Fortalecer sua imagem institucional
  • Facilitar novos contratos e concessões
  • Se posicionar melhor no mercado internacional

Em um cenário cada vez mais conectado às cadeias globais, práticas ambientais responsáveis deixam de ser apenas um diferencial e passam a ser um requisito de permanência no mercado.

Os principais desafios para implantar Shore Power

Apesar dos benefícios, a adoção do Shore Power no Brasil ainda enfrenta desafios importantes.

Entre os principais estão:

Alto investimento inicial

A implantação de sistemas tradicionais de Shore Power exige:

  • Construção de casas elétricas
  • Instalação de transformadores
  • Infraestrutura de alta tensão
  • Obras civis no cais
  • Diversos pontos fixos de conexão

Esse conjunto eleva o CAPEX e pode inviabilizar projetos em alguns terminais.

Limitações operacionais

Sistemas convencionais possuem pontos fixos de conexão, o que pode gerar:

  • Restrição de posicionamento dos navios
  • Dificuldade em atender diferentes tipos de embarcação
  • Impactos no planejamento de atracação
  • Redução da flexibilidade operacional

Em ambientes portuários dinâmicos, essa limitação se torna um fator crítico.

Diversidade da frota

Navios de diferentes classes, tamanhos e layouts apresentam pontos de conexão distintos, o que dificulta a padronização da infraestrutura.

Isso exige soluções capazes de acompanhar essa diversidade sem comprometer a operação.

A importância de planejar hoje para o futuro

Mesmo que muitos portos brasileiros ainda não estejam prontos para investimentos imediatos em eletrificação, o tema já precisa fazer parte do planejamento estratégico.

Ignorar essa tendência pode resultar em:

  • Adequações emergenciais no futuro
  • Custos elevados de retrofit
  • Perda de competitividade
  • Dificuldade para atender novas exigências regulatórias

Por outro lado, terminais que se preparam com antecedência conseguem evoluir de forma gradual, controlando investimentos e reduzindo riscos.

Caminhos mais flexíveis para a eletrificação portuária

Nos últimos anos, o mercado passou a buscar soluções mais adaptáveis, que permitam implementar Shore Power sem grandes impactos estruturais.

Essas alternativas priorizam:

  • Redução de obras civis
  • Maior flexibilidade operacional
  • Melhor aproveitamento dos ativos
  • Implantação progressiva
  • Menor custo total ao longo do tempo

É nesse contexto que surgem sistemas móveis e modulares, capazes de levar o ponto de conexão até o navio, em vez de obrigar a embarcação a se adaptar à infraestrutura fixa.

O futuro do Shore Power nos portos brasileiros

Tudo indica que a eletrificação portuária deixará de ser uma opção e se tornará parte dos requisitos regulatórios e operacionais nos próximos anos.

Portos que iniciarem essa jornada desde já estarão mais preparados para:

  • Novas legislações ambientais
  • Demandas dos armadores
  • Metas de descarbonização
  • Auditorias ESG
  • Novos modelos de concessão

Mais do que uma questão ambiental, o Shore Power passa a ser um tema de estratégia, competitividade e sustentabilidade de longo prazo.

Como a tecnologia pode apoiar essa transição

A boa notícia é que o mercado já dispõe de soluções capazes de apoiar essa evolução de forma flexível, segura e economicamente viável.

Sistemas móveis de conexão elétrica, como o iMSPO (igus Mobile Shore Power Outlet) da igus, foram desenvolvidos justamente para atender realidades portuárias dinâmicas, permitindo que os terminais avancem na eletrificação sem comprometer a operação.

No próximo artigo, vamos mostrar como essas tecnologias funcionam na prática e como podem viabilizar o Shore Power nos portos brasileiros.

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