Carros elétricos avançam no Brasil: como preparar a infraestrutura de recarga para a nova realidade da mobilidade? – igus Blog Brasil

Carros elétricos avançam no Brasil: como preparar a infraestrutura de recarga para a nova realidade da mobilidade?

Rebeca Tarragô | 27th julho 2026

O crescimento dos veículos elétricos e híbridos plug-in no Brasil está transformando não apenas a indústria automotiva, mas também estacionamentos, condomínios, empresas, centros logísticos e eletropostos. À medida que aumenta a potência e a quantidade de pontos de recarga, surge um desafio que muitas vezes passa despercebido: como organizar, movimentar e proteger os cabos de carregamento com segurança?

A eletromobilidade brasileira entrou em uma nova fase. Durante alguns anos, falar sobre carros elétricos no Brasil significava falar sobre uma tecnologia que ainda buscava espaço no mercado. Hoje, a discussão é diferente.

Veículos elétricos e híbridos plug-in estão nas ruas. A rede de recarga está crescendo. Carregadores rápidos começam a ocupar uma parcela cada vez mais relevante da infraestrutura. Empresas eletrificam suas frotas. Condomínios precisam discutir pontos de carregamento. Centros logísticos começam a pensar na recarga simultânea de diferentes veículos.

E os números ajudam a dimensionar essa transformação.

Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil encerrou 2025 com 223.912 veículos leves eletrificados vendidos, crescimento de 26% em relação a 2024. Enquanto o mercado brasileiro de veículos leves como um todo cresceu 2,6% no período, os eletrificados avançaram em ritmo aproximadamente dez vezes superior.

Em abril de 2026, um novo marco: foram 38.516 veículos leves eletrificados emplacados em apenas um mês, correspondendo a 16% do mercado brasileiro naquele período.

Ou seja: a eletrificação deixou de ser apenas uma discussão sobre o futuro da indústria automotiva. Ela já começa a mudar a infraestrutura que utilizamos hoje.

O crescimento dos veículos elétricos exige uma nova infraestrutura

Quanto mais veículos capazes de receber recarga externa circulam, maior é a necessidade de uma rede capaz de atendê-los. Em maio de 2026, o Brasil já contava com 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga, segundo levantamento da ABVE e da Tupi Mobilidade. O dado representa crescimento de 20,7% em apenas três meses, considerando os 21.060 pontos registrados em fevereiro.

Ao mesmo tempo, a frota de veículos plug-in — formada por veículos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV) — contabilizada entre 2022 e maio de 2026 chegou a 505.806 unidades. Há outro movimento importante acontecendo dentro desses números: o crescimento da recarga rápida.

Em fevereiro de 2025, o Brasil possuía 2.430 carregadores rápidos DC. Um ano depois, eram 6.479 — expansão de aproximadamente 167%. Isso mostra que a discussão sobre infraestrutura não envolve somente instalar mais carregadores.

É necessário desenvolver estações capazes de lidar com maior potência, utilização frequente, diferentes tipos de veículos e ambientes cada vez mais exigentes.

E essa transformação está apenas começando

As projeções oficiais indicam que o processo deve continuar ao longo da próxima década. Portanto existe uma questão importante para empresas, operadores de recarga, estacionamentos, condomínios, montadoras, centros logísticos e gestores de frotas: a infraestrutura está sendo preparada para acompanhar essa escala?

O cabo de recarga também faz parte dessa infraestrutura

Quando pensamos em um eletroposto, normalmente a atenção se concentra no carregador, na potência disponível e no tempo necessário para carregar a bateria. Mas existe um elemento físico fundamental entre o veículo e toda essa infraestrutura: o cabo de recarga.

Em uma garagem residencial, seu gerenciamento pode parecer relativamente simples. Em uma estação pública, estacionamento, shopping, empresa, centro logístico ou pátio com dezenas de veículos sendo carregados diariamente, a situação muda. Cabos deixados sobre o piso podem representar riscos de tropeço e ficar sujeitos a sujeira, água, esmagamento, passagem de pneus, impactos e desgaste mecânico.

Nos sistemas DC de alta potência, outro fator entra na equação: os cabos podem ser maiores e mais pesados. Assim, organizar os cabos deixa de ser apenas uma questão estética. Passa a fazer parte da segurança, ergonomia, disponibilidade e vida útil da própria infraestrutura de recarga.

É justamente nesse ponto que sistemas de gerenciamento e retração de cabos ganham relevância.

Como funcionam os sistemas de gerenciamento de cabos para carregadores elétricos?

A proposta é relativamente simples: em vez de deixar o cabo solto no chão quando não está sendo utilizado, um sistema mecânico ou automatizado realiza seu guiamento e recolhimento.

Isso permite manter o cabo protegido e disponibilizá-lo somente quando necessário.

Dependendo da configuração da estação, o gerenciamento pode ser realizado verticalmente, horizontalmente ou por sistemas suspensos.

A igus desenvolveu diferentes soluções dentro dessa proposta, incluindo sistemas e-tract e e-spool flex, projetados para diferentes configurações de carregamento AC e DC.

e-tract DC: gerenciamento de cabos para recarga rápida

O e-tract DC foi desenvolvido para organizar e retrair cabos utilizados em estações de recarga DC.

Após o carregamento, o sistema permite que o cabo seja recolhido novamente, reduzindo sua exposição no piso e ajudando a protegê-lo contra situações comuns em áreas de estacionamento.

Entre suas características estão:

  • proteção do cabo contra sujeira e condições climáticas;
  • proteção contra vandalismo e roubo;
  • raio de curvatura de 211 mm;
  • dispositivo antirroubo;
  • extensão de 3.000 mm, além de loop de cabo de até 2.500 mm;
  • possibilidade de extensão para esquerda ou direita;
  • menor esforço necessário durante a utilização.

Ao retirar o cabo da área de circulação quando ele não está sendo utilizado, o sistema também ajuda a reduzir riscos de tropeços e de danos causados por pneus ou movimentação de veículos.

e-tract DC horizontal: cabos suspensos para centros de recarga e frotas

Quando a infraestrutura começa a atender vários veículos simultaneamente, o aproveitamento do espaço se torna ainda mais importante. É o caso de depósitos, centros logísticos, garagens de frotas e hubs de carregamento.

Para essas aplicações, a igus desenvolveu o e-tract DC horizontal, um sistema automatizado de orientação aérea destinado a cabos de recarga DC de alta performance e aplicações MCS. Em vez de permanecer no piso, o cabo é conduzido por uma estrutura suspensa.

Isso traz vantagens importantes para operações de maior escala:

  • mais espaço disponível para manobras;
  • ausência de cabos na área de circulação;
  • redução de riscos de tropeços;
  • menor possibilidade de passagem de veículos sobre os cabos;
  • maior proteção contra desgaste e roubo;
  • organização de múltiplos pontos de recarga.

Para frotas comerciais e centros logísticos, essa arquitetura pode ser particularmente interessante porque o espaço destinado à recarga também precisa continuar funcionando como área operacional.

e-tract 3.1: gerenciamento integrado para carregadores AC

A recarga AC continua tendo um papel importante em residências, condomínios, empresas, estacionamentos e locais nos quais o veículo permanece estacionado durante períodos maiores. Para essas aplicações, o e-tract 3.1 funciona como um sistema integrado de gerenciamento que retrai automaticamente o cabo e o mantém protegido quando não está sendo utilizado.

O sistema possui:

  • raio de curvatura de 155 mm;
  • dispositivo antirroubo;
  • extensão de até 4.500 mm;
  • loop adicional de cabo de até 2.000 mm;
  • possibilidade de extensão para esquerda ou direita;
  • pontos de montagem para facilitar sua integração em estações e alojamentos.

A solução permite incorporar o gerenciamento do cabo ao próprio projeto do carregador.

e-tract AC horizontal: quando cada centímetro do estacionamento importa

Nem todo estacionamento possui espaço disponível para adicionar novas estruturas no piso.

Em garagens de alta densidade, edifícios comerciais, condomínios e estacionamentos com vagas estreitas, a própria coluna do carregador pode disputar espaço com veículos e áreas de circulação.

O e-tract AC horizontal propõe outra arquitetura: instalar o sistema de gerenciamento no teto ou em uma estrutura superior.

Dessa forma, o cabo permanece protegido e é disponibilizado somente durante a recarga.

Entre os benefícios estão:

  • menor ocupação de espaço por ponto de carregamento;
  • ausência de cabos espalhados pelo piso;
  • proteção mecânica do cabo;
  • redução da exposição a impactos de veículos;
  • maior proteção contra vandalismo e roubo.

À medida que edifícios existentes precisam incorporar cada vez mais pontos de recarga, soluções desse tipo podem ajudar a adaptar a infraestrutura sem comprometer tanto o espaço disponível.

e-spool flex light AC: uma alternativa compacta para organização dos cabos

Outra possibilidade é o conceito e-spool flex light AC.

O sistema utiliza uma guia para enrolar e organizar o cabo sem necessidade de anel coletor, mantendo uma transmissão contínua.

Na configuração destinada à recarga AC, o conceito é adequado para potência de até 11 kW e extensão de aproximadamente 5 metros.

A tecnologia e-spool flex também permite que o cabo retorne à posição original após a utilização, liberando novamente a área de circulação.

Carros são apenas parte da transformação

Um dos aspectos mais interessantes da eletromobilidade é que a infraestrutura não precisará atender somente automóveis particulares. Ônibus urbanos, vans, caminhões de distribuição e veículos comerciais também estão entrando gradualmente nesse ecossistema.

E cada aplicação possui requisitos diferentes. Um condomínio pode precisar de vários carregadores AC. Um posto rodoviário pode exigir recarga rápida DC. Uma transportadora pode precisar carregar dezenas de veículos durante a madrugada. Uma operação logística pode precisar manter cabos completamente fora das áreas de circulação. Um terminal de ônibus pode utilizar sistemas suspensos. E caminhões elétricos de maior porte exigirão soluções compatíveis com potências e dimensões ainda maiores.

Por isso, a igus também desenvolve sistemas personalizados de gerenciamento de cabos, considerando fatores como:

  • carregamento AC ou DC
  • automóveis, caminhões e veículos comerciais
  • recarga particular, comercial ou pública
  • instalação vertical, horizontal, suspensa ou subterrânea;
  • acionamento elétrico ou mecânico
  • dimensões específicas da aplicação
  • identidade visual e integração ao projeto do cliente.

Por que o gerenciamento de cabos será cada vez mais importante?

O crescimento da eletromobilidade muda a escala do problema. Com poucos carregadores, um cabo no chão pode parecer apenas um inconveniente. Imagine, porém, um estacionamento com 30 carregadores. Ou uma garagem de ônibus. Ou um centro de distribuição no qual dezenas de caminhões elétricos precisam ser carregados todas as noites.

Nesses cenários, multiplicam-se também os cabos, os ciclos de utilização, as movimentações, o risco de danos e a necessidade de manter a operação organizada.

Quanto maior a escala da infraestrutura de recarga, mais importante se torna pensar não apenas em fornecer energia, mas em como essa energia chega fisicamente ao veículo.

Esse é um ponto importante para projetos que estão sendo desenvolvidos agora.

A eletromobilidade brasileira está entrando na fase da infraestrutura

Os números mostram que a transição já está acontecendo. O Brasil saiu de 93.927 veículos eletrificados vendidos em 2023 para mais de 170 mil em 2024 e 223.912 unidades em 2025. Ao mesmo tempo, a rede pública e semipública alcançou 25.429 pontos de recarga em maio de 2026.

E as projeções da EPE apontam para milhões de veículos eletrificados circulando no país na próxima década. O próximo desafio, portanto, não será apenas colocar mais veículos elétricos nas ruas. Será construir uma infraestrutura capaz de atendê-los com segurança, confiabilidade, ergonomia e eficiência operacional.

Carregadores melhores serão parte dessa transformação. Redes elétricas preparadas também. Mas detalhes aparentemente simples — como garantir que um cabo pesado, caro e utilizado diariamente não permaneça exposto no chão — também terão um papel importante.

Com soluções como e-tract DC, e-tract DC horizontal, e-tract 3.1, e-tract AC horizontal e e-spool flex, a igus aplica sua experiência em movimentação e gerenciamento de cabos a um novo desafio da indústria: preparar a infraestrutura para um mundo no qual conectar um veículo à tomada será cada vez mais parte da rotina.


Fontes e referências

ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico. Dados de emplacamentos de veículos eletrificados no Brasil em 2024, 2025 e 2026; evolução da infraestrutura pública e semipública de recarga; levantamento ABVE/Tupi Mobilidade.

EPE – Empresa de Pesquisa Energética / Ministério de Minas e Energia. Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 – Caderno de Eletromobilidade: Transporte Rodoviário. Projeções para veículos leves, ônibus, caminhões e demanda elétrica associada à eletromobilidade até 2035.

igus. Informações técnicas dos sistemas e-tract DC, e-tract DC horizontal, e-tract 3.1, e-tract AC horizontal e e-spool flex para gerenciamento e movimentação de cabos.

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